Como começaram as SMP?

Tudo começou em 1990, entre alguns agentes pastorais e lideranças das CEBs, foi na casa de um lavrador pobre, um apaixonado pelo Evangelho de Jesus, no sul do Pará, região sofrida e violentada pela ganância de um latifúndio selvagem. Estávamos aí reunidos, conversando sobre coisas da vida, sobre boas notícias que iam acontecendo, sobre problemas, dificuldades e desafios que víamos pela frente. Nossos trabalhos pastorais, apesar de tanta dedicação, não conseguiam chegar ás massas dos católicos afastados, sobretudo nas periferias das cidades.Sabíamos que não era por falta de metodologias pastorais nem de cursos de formação, mas de algo mais profundo.

Mesmo alguns cursos bíblicos não faziam “ arder o nosso coração”, como aconteceu com os dois discípulos de Emaús, quando Jesus lhes explicava as Escrituras. No entanto várias igrejas, sobretudo pentecostais, vinham crescendo e avançando a um ritmo impressionante. Não queríamos provocar brigas religiosas, mas esse crescimento rápido nos preocupava e nos questionava. Víamos algumas comunidades atoladas em uma rotina repetitiva, cansativa, com celebrações fracas e sem vida. Algumas brigas e desentendimentos pessoais tinham afastado várias pessoas das comunidades.

Que fazer diante disso? De repente, uma luz. Alguém perguntou: “ E por que não realizar Santas Missões?”. Aí a conversa esquentou. De fato, as Santas Missões falam alto ao coração das massas católicas; fazem parte do universo cultural religioso de muitas pessoas; despertam saudades e fazem sonhar.

Queríamos Santas Missões mais perto do povo, com conteúdo e metodologia; que fossem mais existenciais, mais preocupadas com a vida do que com normas e leis; que fossem mais carregadas das profunda experiência de Deus do que palestras e mais palestras. Quanto aos missionários, este deviam vir do meio do povo, cheios de ternura e de coragem profética.Partilhamos a idéia com outros agentes de pastorais e lideranças comunitárias. Foram acolhidas com simpatia. Fizemos contato com outras Santas Missões já atuantes. Aprender dos acertos, luzes e dificuldades dos outros sempre faz bem. Tocou-nos a experiência de um grupo de missionários de Nordeste do Brasil. Foi uma partilha bonita.Uma pequena equipe foi encarregada de concretizar e articular o projeto.

Escolhemos uma paróquia: Xinguara, no sul do Pará, da diocese de Conceição do Araguaia, pela afinidade com os vigários e as comunidades locais e pelo consentimento do bispo diocesano, o querido Dom José Patrick, de saudosa e grata memória.As comunidades de Xinguara gostaram da proposta e marcaram a data da grande Semana Missionária: novembro de 1991. Lançamos uma carta-circular, dando essas boa noticia a pessoas amigas e interessadas. Seis messes antes da Semana Missionária, organizamos, em Xiguara, um primeiro encontro com pessoas de comunidades. Dessas, cerca de cem se entusiasmaram e assumiram o serviço missionários. Com uma celebração- durante a qual os missionários locais receberam a cruz missionária, demos abertura á pré- missão, e assim, começou a grande aventura.

Para a grande Semana Missionária de novembro de 1991, cinqüenta missionários e missionárias, vindos de vários lugares, dirigiram-se a Xiguara. Juntamente com os missionários locais, nós nos organizamos em equipes missionárias e, depois de uma bonita celebração de envio presidida pelo bispo Dom José, partimos para missão. Foi uma semana inesquecível. Ao longo destes anos, a experiência cresceu em conteúdo e metodologia, graças á contribuição de tantos missionários e missionárias.